terça-feira, 15 de novembro de 2011

"Me sinto só. Mas quem é que nunca se sentiu assim?"

Nos últimos meses, estou me sentindo sufocada. Passo praticamente o dia todo sem falar com amigos. Isso está simplesmente me levando a loucura. Às vezes telefono pra alguém, mando um e-mail, pra descontrair, falar com alguém. Preciso ver gente diferente, preciso abrir minha mente.

Não que não tenha pessoas onde eu trabalho. Pois tem. Mas não posso expor todas as minhas opiniões para elas tal qual para outras. Elas não querem crescer, não possuem essa ambição, exercem suas funções e pretendem fazer isso até a vida não mais as permitir. Eu quero alguém que me entenda. Que queira crescer. Que concorde comigo quando eu achar que alguém agiu errado, mas que também me dê um tapa na cara quando a errada fui eu.
Alguém que diga "você devia tentar, você consegue", ou "Danny, você tá onde você deveria estar, sossega!".

Esse feriado me ajudou a repensar sobre o que eu quero. Sobre pra onde quero crescer e do por que estudei o que estudei.
Estes últimos quatro dias me fez me sentir eu novamente. Sem me estressar com notas fiscais, com serviços incompletos, sobre processos de segurança alimentar, sobre custos, sobre tudo. Eu estou exausta de estar só, estou exausta de não compartilhar minhas opiniões diárias, meus medos, minhas angústias, mas minhas alegrias, minhas piadas, meu horário de almoço. E isso me faz tão mal. 

Quero tirar um dia e passar o dia todo sentada neste banco da imagem. Preciso refazer meus planos, minhas metas. Nem tudo saiu como planejado, e acho q nunca sairá. Ninguém sabe onde vai começar a trabalhar, ou que vai se acidentar. Ninguém sabe em que cidade vai morar, ou em que rua vai se encontrar.

Eu estava quase me acomodando, mas isso não pode acontecer. Isso tiraria toda minha essência, não seria mais eu, me deixaria infeliz. 

Eu já não estava sendo eu, já não conseguia seguir minhas crenças e nem mesmo organizar minhas coisas. Já não conseguia fotografar, já não conseguia pensar grande.

A gente precisa correr atrás do que é nosso. Se não fizermos por nós mesmo, pode ter certeza que ninguém mais o fará.

Pois a felicidade, a "Felicidade é só questão de ser."

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Um mimo por dia!

Que falta que nos faz um mimo por dia...
 É aquele bom dia gostoso de se falar, é a balinha que você ganha no restaurante, é o bom dia do cobrador do ônibus, é o ‘como vai?’ verdadeiro e sem pressa. É o abraço apertado e a carona amiga.
Não faz muito tempo, comecei a trabalhar em restaurantes. E de lá pra cá aprendi e percebi que é nos mimos que se esconde o segredo. Você e seu colega de trabalho podem produzir exatamente o mesmo resultado, mas o mimo... aaaaah, é o mimo que vai diferenciá-los. Quem sabe que agradar faz bem, que cativa, vai se esforçar pra deixar um pedacinho de mimo. Aquele pedacinho de papel no prato. A florzinha na entrada, e o cafezinho na saída. O bolo entregue com sorriso e felicidade.
Álias, ainda no mesmo tema, mas mudando um pouco de vertente. Por que as pessoas fazem tão mal o que elas fazem. São vendedoras estúpidas, são telemarketing grosseiros, são administradores que procuram fazer sempre o menor trabalho possível, e  não o melhor, e por aí vai. Somos destratados todos os dias em todos os lugares onde estamos gastando nosso dinheiro. Se todos pudessem observar isso, e nunca favorecer esse trabalho mal feito. Foi destratado, não compre, não veja, não consuma, não beba. Cadê o mimo nosso de cada dia? O detalhe? Estamos vivendo num mundo tão ocioso que os administradores tem preguiça de administrar, os gerentes de gerenciar, os vendedoeas de vender, e as nutricionistas de ‘nutricionar’. Esquecemos pra que estudamos e por que estamos lá, qual nossa função e pra onde podemos crescer se quisermos. Nos ACOSTUMAMOS muito. Nos esquecemos das metas, e dos sonhos. Estagnamos.
Precisamos renovar, reaprender, viver. 
Precisamos, muitos de nós, recomeçar.

domingo, 22 de maio de 2011

Ao direito de sentir raiva

Dia a dia passamos por situações de estresse e violência e ainda ouvimos dizer o quanto precisamos nos acalmar e nos sentir em paz e saber perdoar. Sim, sabemos disso. Mas eu tenho o direito de sentir raiva. Preciso sentir pra ao menos tentar aceitar. Preciso falar tudo o que eu acho, preciso gritar a injustiça diária que passamos, gritar que o mundo está errado e as pessoas do avesso.


Após o acidente, fiquei muito brava com o condutor do veículo que bateu no nosso. E essa raiva voltava a cada dificuldade em cortar um pedaço de carne e de ter que trocar de roupa ou fazer curativos, ou a cada dor que eu senti durante esse processo ou cada entrevista que tive que desistir e empregos que vi passar. Senti raiva por que minha família estava passando dificuldades por conta disso. Senti raiva por que estamos sem carro até hoje. Senti raiva por que precisei ficar esperando 4 horas no hospital pra ser consultada de pé em menos de 5 minutos. Senti raiva a cada cidadão que me deixou viajar de pé mesmo com o braço quebrado, a cada um que não se dispos a me ajudar pra levar uma mala ou subir e descer as escadas carregando-a. senti raiva do condutor. E da sociedade. 


E aí chega você e me diz que eu não posso sentir essa raiva toda? A Paz que vá pro inferno, mas eu tenho direito a esse sentimento sim. Tenho sim que agradecer a Deus por não ter ocorrido uma fatalidade maior e pior, mas não tenho que ser agradecida por estar com pinos e passando dificuldades que não estaria passando se o querido não tivesse afundado seu querido pé no querido acelerador daquele belíssimo carro que deixou o meu irreconhecível. Daí um tempinho depois 3 marmanjos vêm me assaltar e eu tenho que ser agradecida por ter sido 'só' um assalto? Agradecida o inferno, tenho que gritar minha indignação com o sistema desse país que deixam esse tipo de pessoas na rua pra assaltarem pessoas de menor força e em menor número que eles. Tenho e quero sentir essa raiva. Não quero me tornar mais uma pessoa que já se acostumou com esse país e diante de situações como essa apenas aceita e é indiferente. Indiferente já somos em tantas situações. Temos que ter opinião. Tenho direito a Raiva e irei tê-la enquanto achar que fui mais uma vez injustiçada.


Existem situações em que somos tantas vezes repetidamente injustiçados que simplesmente nos acomodamos. Aí você só se torna mais um acomodado cidadão dentre tantos outros. Seja diferente. Não se torne mais um. Ao direito de sentir raiva!



quinta-feira, 31 de março de 2011

Sobre as estatísticas da vida.

Bem que a nossa vida poderia ser cheio de estatísticas. Seria tão mais fácil. Você conhece uma pessoa bacana e com alguns clicks imaginários, ali está: 60% sincero, 40% romântico, 80% galinha, 59% inteligente, 78% esperto, 35% bom dançarino e 65% compatível. Você procura uma pessoa bacana pra dividir um apê. Pronto, facilidade. 99% bagunceira, 89% irresponsável e 57% não confiável. Pronto, tá fora. Quer um empregado novo? Vamos lá. Cursou 34% das aulas, 45% confiável, 30% pró-ativo e 60% preguiçoso. Foooooora! Acordou, foi pro metrô, olhou pra porta: 97% cheio. Passo esse, hein.

Prestar vestibular? Facilidade! Primeiro, que curso? Medicina? 30% de compatibilidade, 70% futuro promissor, 90% dificuldade. Nutrição? Melhor não comentar! Hahaha... Chances em faculdades? Usp 60%, Unifesp 89%, Unesp  73%. Alternativa correta da prova? 75% alternativa C! Huuuuuuuuuum, pensando bem. Não daria tão certo não!

Seria, na verdade, tudo muito chato. Conhecer alguém e já saber que não vai dar certo logo de início. Não ter a oportunidade de conhecer as várias personalidades das pessoas e perder até a liberdade de escolher aquela que você mais gosta. Ter a porcentagem do quanto você é uma ‘qualidade’ ou ‘defeito’ e deixar isso visível para os outros. Não poder escolher o que cada pessoa pode conhecer. Seria tudo mais difícil de mudar depois do julgamento dos desconhecidos. Não ter a chance de explicar aquela rebeldia que você tem de vez em quando, mas que tem uma razão, um motivo. As pessoas tendem a aceitar muita coisa. E não se esforçam para entende-las e nem mudá-las.

Não ter a chance de conhecer os detalhes que só você percebeu. Essa seria  o pior de todos. Todo mundo saber que quando você mente, dá aquela piscadinha estranha, ou que quando você vai dançar, gosta muito mais de dançar descalço, no seu quarto que na balada, ou que não gosta de filmes de terror, e se emociona com finais felizes, ou até que você nunca chora. Os detalhes, que cada um tem que lutar pra conhecer por si só. Seria tão chato perde-los nas estatísticas.

Deixe essa idéia de lado. Deixa a vida como tá! Deixa aparecer só as estatísticas do bem! As anônimas, as de saúde e as das suas visitas no seu blog, que foi o que motivou-me a postar hoje!
Beijos, de uma pessoa hoje, 85% feliz, de punho 60% recuperado ;) !

terça-feira, 29 de março de 2011

Linhas tortas

Ao ver fotos antigas, estava pensando em como tudo foi tão bom e tão certo. As pessoas que conheci na infância, algumas com quem ainda falo, algumas falei só de passagem, outras nem sei mais onde estão. As idas e vindas do colégio, 1 hora e meia de ônibus, mais o curso técnico, as brigas, as festas, as provas e o tcc. E o desejo profundo e infinito de estudar na tão aclamada e desejada USP. É, eu também achava. Eu também queria.

Até descobrir que o que destino nos guarda as vezes é muito melhor. Sempre fui contra achar que tudo depende do destino. Mas existem acontecimentos que só podem ser coisa desse velho conhecido. Eu sempre quis estudar na USP, até estudar na Unifesp e descobrir que o mais difícil e trabalhoso pode ser o melhor. Morar sozinho... Aaaaaaaaaaaaaaaaah, a saga de morar sozinho. Sofrer limpando banheiro, lavando louça, e fazendo a própria comida! Crescer! E ter a liberdade de se descobrir você mesmo! Quem é você quando seus pais não estão por perto, ou quando ninguém vai falar que não te permite. Quem é você por você mesmo. Depois de formada troquei a cidade litorâneo pela capital meio forçada, mas da mesma forma que fui pra Santos, de inicio, sem muito me agradar, quem sabe o que o destino nos reserva.

Hoje eu tinha uma prova, e nem eu mais acreditava que eu conseguiria chegar a tempo. Isso por que estava no hospital aguardando uma retirada de pinos. E pra minha surpresa, antes das 7 e meia, já estava eu tendo alta hospitalar! Cheguei a tempo, fiz a prova (que até atrasou 30 min). Se eu tivesse saído 30 minutos mais tarde do hospital, até teria desistido de ir, sem saber que a prova nem havia começado. Qual era a probabilidade de eu chegar a tempo e com a mão boa para escrever? Aaaah destino, tenho que te agradecer. Essas coincidências (que até tem me acompanhado com certa frequência ultimamente), sempre amiguinho do destino é o que me fascina. Quando tudo conspira a seu favor, é a tua hora. Mesmo que você não passe, mas você tentou. É o que importa. A gente nunca sabe em qual rua a gente vai se encontrar!


quinta-feira, 17 de março de 2011

A Arte de Escrever com a Luz

Pode até ser pela descendência oriental, mas eu duvido que seja apenas isso. A verdade é que a fotografia me tomou pelas mãos, clicks e flashes, e eu correspondi inteiramente com milhares de jpeg’s em imagens, imagens e imagens.

Amigos, comida, brincos, colares, lugares, teto, chão, sapato, gato, cachorro, passarinho, mar, areia, terra, festa,  cupcakes, carros, árvores, esmalte, lâmpada, latas, sim... eu fotografo tudo. Tudo que vejo e acho q ficaria legal daquele ângulo, com aquele foco, e aquelas cores.

Uma vez já disse aqui que discordo que fotografias roubam almas... As fotografias apenas pegam emprestados os sentimentos do momento e levam para seus futuros observadores. Felicidade, alegria, conversas, sorrisos, tristeza, agonia, solidão, amor, nostalgia. Aaaaaaaaaaaah, a nostalgia. Se viver é relembrar, viver também é fotografar. Toda passagem importante da vida tem um álbum. Pode ser o do bebê, das formaturas ou de casamento. Dos chás de cozinha ou simplesmente daquela viagem maravilhosa. E o melhor de todos, o do dia a dia, que dá significado para as pessoas com quem a gente quer uma foto nas ocasiões mais especiais.

Fotos são mais ainda que lembranças. É expressão. É falar, sem falar. São entrelinhas sem linhas. Fica tudo subentendido, mas entende-se! Fotografia é prazeroso aos olhos de quem vê, e mais ainda ao que fotografa. Fotografar é luz e sombra. Só se faz fotografar quando essas coexistem e se complementam.

E é por isso que embarco nessa era digital, munida da minha câmera nada compacta e de olhares atentos. Quero abraçar o mundo com lentes e flashes! Quero escrever com arte através da luz!

Click!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

De esquerda

Todo destro que já passou uma semaninha de gesso, sabe a dificuldade de cumprir seus afazeres diários de esquerda. Agora tente por 4 semanas. É o tempo que estou. Completarei essas 4 semanas amanhã, e sinceramente, a sensação de tentar fazer as coisas mais fáceis e bobas, como se vestir ou picar algum alimento no seu prato, é de incapacidade.

A verdade que se descobre é que somos todos tão pequenos.

E não só de braço esquerdo estou vivendo ultimamente, mas também mudei de lado no serviço de saúde. De profissional para paciente. De visita hospitalar para internado. E aí entende que até um braço quebrado pode lhe fazer muito mal se você estiver sob ação de fortes medicamentos. Entende também que mesmo todos os serviços serem SUS, a diferença de um para outro é gritante, e que o respeito por parte de seus funcionários e autoridades hospitalares é o que faz a maior diferença dentre eles. Aguardar em pé a consulta, e ao entrar no consultório, verificar que não existe uma cadeira para ser atendido é fazer do paciente (ortopédico, portanto quebrado) palhaço frente ao sistema de saúde. Oferecer dipirona para pós-operados é piada de mau gosto.

E chegar em casa e estudar como esses serviços deveriam ser é ter vontade de rir e chorar frente a grande mentira da saúde pra muitos locais, infelizmente, ainda em funcionamento. E nas unidades básicas de saúde, sentir-se humilhado pela maneira irônica de certos profissionais faz-me sentir injustiçada por pessoas tão despreparadas ocupando vagas e tratando usuários de maneira, que eu, particularmente, sei que nunca tratarei nenhum com tamanho desrespeito. Espero, sim, que esses profissionais se vejam, ao menos uma vez na vida, tratados com igual desrespeito ao qual fui tratada, e que acordem depois disso para melhor atender. Não apenas na saúde isso ocorre, mas a grande maioria dos profissionais de todas as áreas não fazem bem o que fazem.

Deixo aqui minha indignação frente ao profissionalismo nada profissional. Ainda dependente deles, espero que termine minha recuperação sem seqüelas do SUS.